Laudo de Desempenho Térmico: o que é, quando é exigido e o que comprova 

Entenda o documento técnico que construtoras e incorporadoras cada vez mais solicitam 

Laudo de Desempenho Térmico: o que é, quando é exigido e o que comprova

O que é o laudo de desempenho térmico

O laudo de desempenho térmico é um documento técnico que comprova se uma edificação atende aos critérios de conforto térmico estabelecidos pela NBR 15.575 — Norma de Desempenho de Edificações Habitacionais. Ele formaliza o resultado de uma avaliação técnica que pode ser feita por dois métodos: o método simplificado, baseado em verificação de parâmetros prescritivos da envoltória, e o método de simulação computacional, que modela o comportamento térmico da edificação em condições reais de uso e clima.

O laudo não é um formulário padronizado — seu conteúdo varia conforme o método utilizado, a tipologia da edificação e a zona bioclimática em que o projeto está inserido. O que deve estar presente em qualquer laudo é a identificação da edificação, o método adotado, os critérios avaliados, os resultados obtidos e a conclusão sobre o atendimento ou não aos requisitos normativos.

Quando o laudo é exigido

A NBR 15.575 é obrigatória para edificações habitacionais desde 2013. A norma exige que o projeto comprove o atendimento ao desempenho térmico, e o laudo é o instrumento técnico que materializa essa comprovação.

Na prática, o laudo é solicitado em três situações principais:

Por incorporadoras e construtoras, como condição para emissão de habite-se ou alvará, a depender da exigência do município.

Por agentes financeiros, como parte da documentação técnica para acesso a linhas de crédito com requisitos de desempenho ambiental.

Por certificadoras, como documentação de suporte para créditos de desempenho térmico em sistemas como GBC Brasil Condomínio e PBE Edifica.

Com a entrada em vigor da Resolução CGIEE nº 4/2025, que estabelece índices mínimos obrigatórios de eficiência energética para novas edificações, o laudo de desempenho térmico passou a ser ainda mais relevante — já que o desempenho da envoltória é um dos parâmetros que impactam diretamente a classificação energética do edifício.

Método simplificado versus simulação computacional

Método simplificado

O método simplificado verifica se os componentes da envoltória — paredes, coberturas e aberturas — atendem aos valores de referência estabelecidos pela norma para cada zona bioclimática. Os principais parâmetros verificados são transmitância térmica, capacidade térmica e absortância solar das superfícies.

Esse método é mais rápido e tem menor custo de execução. Contudo, ele tem limitações importantes: não considera o comportamento real do edifício ao longo do tempo, não captura o efeito de estratégias passivas como ventilação cruzada, e pode ser mais restritivo do que a simulação para projetos com características arquitetônicas específicas.

Um ponto frequentemente mal compreendido: o atendimento pelo método simplificado não garante que o edifício terá bom desempenho térmico real — garante apenas que os componentes verificados atendem aos parâmetros prescritivos da norma. Projetos com planta inadequada ou orientação desfavorável podem atender ao simplificado e ainda assim apresentar desconforto térmico significativo em uso.

Simulação computacional

A simulação computacional modela o comportamento térmico da edificação hora a hora ao longo de um ano típico, considerando dados climáticos reais da localidade, a geometria do projeto, as características dos materiais, os padrões de uso e ocupação e as condições de ventilação. O software mais utilizado para esse fim no Brasil é o EnergyPlus, frequentemente operado por interfaces como o DesignBuilder.

A simulação permite avaliar critérios que o método simplificado não consegue capturar — como o número de horas de desconforto por calor em ambientes de longa permanência, que é um dos indicadores principais do nível de desempenho térmico exigido pela NBR 15.575. O resultado da simulação classifica a edificação nos níveis Mínimo, Intermediário ou Superior de desempenho.

A simulação também permite testar variações de projeto antes da decisão final: comparar o desempenho de diferentes tipos de cobertura, avaliar o impacto de brises e sombreamentos externos, ou verificar se a mudança na orientação de um bloco melhora significativamente os resultados. Esse uso da simulação como ferramenta de projeto — e não apenas como etapa de comprovação — é onde ela entrega mais valor técnico.

O que o laudo precisa comprovar

O laudo de desempenho térmico precisa demonstrar que a edificação atende ao nível mínimo de desempenho estabelecido pela NBR 15.575 para a sua zona bioclimática. Os critérios principais são:

Desempenho no verão: temperatura operativa dos ambientes de longa permanência não deve ultrapassar a temperatura máxima de referência para o dia mais quente do ano típico da localidade.

Desempenho no inverno: temperatura operativa não deve ser inferior à temperatura mínima de referência para o dia mais frio do ano típico.

Quando a avaliação é por simulação, os limites são definidos por zona bioclimática e verificados para o quarto e a sala de estar como ambientes representativos.

Para projetos que buscam nível Intermediário ou Superior de desempenho — exigência de alguns sistemas de certificação — os limites são mais restritivos e precisam ser demonstrados com a mesma metodologia de simulação.

Quem pode emitir o laudo

A NBR 15.575 não define uma credencial específica para emissão do laudo de desempenho térmico. Na prática, o documento deve ser assinado por profissional habilitado com capacidade técnica para conduzir a avaliação pelo método escolhido — seja a verificação prescritiva do método simplificado ou a modelagem computacional da simulação.

Para laudos baseados em simulação computacional, a credencial do profissional inclui domínio do software de simulação, conhecimento da norma e capacidade de interpretar e documentar os resultados de forma tecnicamente defensável. A qualidade do modelo de simulação — com inserção correta de dados climáticos, geometria, materiais e condições de contorno — é determinante para a confiabilidade do laudo.

Erros comuns que comprometem o laudo

Uso de dados climáticos inadequados ou genéricos para a localidade do projeto.

  • Simplificação da geometria do modelo de simulação de forma que não represente adequadamente o projeto real.
  • Avaliação apenas dos ambientes mais favoráveis, sem verificar unidades ou orientações mais críticas.
  • Laudo emitido sem identificação clara do método utilizado, impossibilitando a rastreabilidade técnica da avaliação.
  • Confusão entre desempenho térmico (NBR 15.575) e eficiência energética (PBE Edifica): são avaliações distintas com metodologias e objetivos diferentes.

A Ares elabora laudos de desempenho térmico pelo método simplificado e por simulação computacional, para edificações residenciais, comerciais e educacionais. Entre em contato para verificar qual método é mais adequado para o seu projeto e quais documentos são necessários para iniciar a avaliação.





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