Descarbonização no canteiro de obras: métricas que importam e ferramentas que auxiliam

A construção civil brasileira e o contexto das emissões 

No cenário internacional, a construção civil brasileira apresenta um perfil de emissões de gases de efeito estufa (GEE) significativamente mais baixo quando comparado à média global. Estudos recentes indicam que o setor emite, em média, 0,43 tonelada de CO₂ por habitante ao ano, enquanto a média mundial chega a 3,06 toneladas por habitante — uma diferença superior a sete vezes. 

Esse desempenho está associado a fatores estruturais do país, como, uma matriz energética majoritariamente renovável.  

Mas, cabe destacar também outras características como:  

  • Menor intensidade de industrialização pesada quando comparada a países desenvolvidos 
  • Uso mais disseminado de sistemas construtivos adaptados ao clima local 

Esse cenário positivo, no entanto, não elimina a responsabilidade das empresas do setor. Pelo contrário: reforça a importância de que construtoras e incorporadoras se comprometam a medir as emissões de seus empreendimentos e reduzir aquilo que for tecnicamente possível, especialmente na fase de obra — etapa em que há maior controle direto sobre processos, insumos e decisões operacionais. 

Por que a descarbonização do canteiro de obras importa? 

Mesmo em um país com menor intensidade média de emissões, o canteiro de obras concentra fontes diretas e indiretas de carbono que impactam significativamente o desempenho ambiental do empreendimento. Transporte de materiais, consumo de energia e combustíveis, desperdício de insumos e gestão inadequada de resíduos são alguns dos principais vetores de emissão nessa fase. 

Além disso, investidores, certificações ambientais e agendas ESG demandam cada vez mais dados mensuráveis, rastreáveis e comparáveis, indo além de médias nacionais ou compromissos genéricos de sustentabilidade. 

Descarbonizar o canteiro de obras significa: 

  • Reduzir riscos regulatórios e reputacionais 
  • Aumentar a eficiência operacional 
  • Antecipar exigências futuras de mercado e financiamento 
  • Demonstrar compromisso concreto com a agenda climática 

Métricas que realmente importam na obra 

A descarbonização efetiva exige a adoção de indicadores claros, consistentes e aplicáveis à realidade da obra. Entre os principais, destacam-se: 

1. Carbono incorporado (embodied carbon) 

Refere-se às emissões associadas à produção, transporte e instalação dos materiais de construção. Insumos como concreto, aço e alumínio concentram parcela relevante desse impacto. O indicador é geralmente expresso em kgCO₂e/m²

2. Emissões diretas do canteiro 

Relacionadas ao uso de combustíveis fósseis e eletricidade em equipamentos, máquinas, veículos e geradores. Apesar de muitas vezes subestimadas, essas emissões podem representar parcela significativa do total do empreendimento. 

3. Índice de geração de resíduos 

Resíduos representam desperdício de materiais, energia e emissões já incorporadas. Monitorar a quantidade gerada por metro quadrado construído e os percentuais de reaproveitamento e reciclagem é fundamental. 

4. Logística e transporte 

Distância média dos fornecedores, frequência de entregas e tipo de modal utilizado impactam diretamente o balanço de carbono da obra e oferecem oportunidades claras de otimização. 

Ferramentas que auxiliam na descarbonização 

A gestão eficiente das emissões depende do uso de ferramentas que transformem dados em informações técnicas aplicáveis à tomada de decisão. Entre as soluções mais relevantes, destacam-se: 

  • Cecarbon 
    Plataforma brasileira voltada à mensuração e gestão das emissões de carbono na construção civil, alinhada ao contexto normativo e operacional do país. A ferramenta permite estimar emissões associadas aos empreendimentos, apoiar estratégias de redução e gerar informações estruturadas para relatórios de sustentabilidade e ESG. 
  • One Click LCA 
    Plataforma para análise de ciclo de vida e cálculo de emissões de carbono incorporado, com módulos específicos para transporte, resíduos e fase de obra, amplamente utilizada em projetos que buscam maior controle ambiental. 
  • EDGE e LEED 
    Sistemas de certificação em sustentabilidade que permite avaliar reduções de energia, água e carbono, com foco em eficiência e viabilidade técnica, especialmente em mercados emergentes. 

Medir para reduzir: o papel das empresas do setor 

O bom desempenho relativo do Brasil em termos de emissões não substitui a necessidade de ação no nível de cada empreendimento. A descarbonização ocorre obra a obra, a partir de decisões técnicas, operacionais e de gestão baseadas em dados. 

Empresas que se comprometem em medir suas emissões: 

  • Tomam decisões mais embasadas 
  • Identificam oportunidades reais de redução de impactos e custos 
  • Fortalecem sua posição diante de investidores e financiadores 
  • Avançam de forma consistente na agenda ESG 

Conclusão 

O Brasil parte de uma posição privilegiada no cenário global de emissões da construção civil. Ainda assim, o avanço da agenda climática exige que o setor vá além dos bons indicadores médios e atue de forma objetiva na mensuração e redução das emissões de cada empreendimento

No canteiro de obras, medir é o primeiro passo para reduzir — e para transformar sustentabilidade em valor técnico, econômico e estratégico. 

Como a Ares apoia esse processo 

A Ares atua apoiando construtoras e incorporadoras na estruturação de estratégias técnicas para a medição e redução de emissões, com foco especial na fase de obra, contribuindo para decisões mais embasadas, maior eficiência ambiental e alinhamento às demandas crescentes de sustentabilidade e ESG. 

No caso das Certificações EDGE e LEED, a Ares conta com uma equipe dedicada de certificações, composta por profissionais acreditados EDGE Expert e LEED AP, que auxiliam os clientes em todas as etapas do processo, desde a análise técnica inicial até a obtenção da certificação. 

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